POEMAS EM PORTUGUÉS

 

RESULTADO FINAL DO CONCURSO TEMA HARMONIA DO MÉXICO.

1º Lugar:

HARMONIA

Transpondo o meu portal, surge a saudade
a fim de permear o meu momento…
Seu cortejo de névoa, então, me invade,
revivendo um antigo sentimento.

O meu tempo ganha um arfar bem lento…
Sinto-me inteira sem tua metade,
pois eu já não tenho o doentio intento
de fazer – da ilusão – realidade.

Já me curei das mágoas, das feridas.
Não doem as lembranças revividas.
Bem sei que tudo foi só ilusão.

Na fortaleza, está o meu cajado
e na razão encontro o meu legado.
Tenho harmonia e luz no coração.

 Relva do Egypto Rezende Silveira


 2º Lugar:

CONSONÂNCIA

Com meu passado, quero estar em harmonia,
pois, muitas vezes, um instante mal vivido
nos importuna, sem dar tréguas, noite e dia,
e a consciência nunca o dá por esquecido!

Com meu presente, quero estar em harmonia,
pois meu presente é o meu passado transformado:
pode ser pleno de tristeza ou de alegria
que, percebidas, já se lançam no passado.

Com meu futuro, quero estar em harmonia,
pois meu futuro é quem dirá se ainda existo,
mas, sem controle do amanhã, eu, todavia,
nem me aventuro a dizer nada acerca disto!

Somente avanço, no compasso da harmonia
do que já fui…do que já sou…do que serei,
dentro da vida, a majestosa sinfonia
da qual partilho e sobre a qual…eu nada sei!

Josafá Sobreira da Silva

 3º Lugar:

 HARMONIA

Quer no matiz que encanta o pôr do sol, 
ou no esplendor da linda lua cheia; 
quer nas estrelas mil, tal qual lençol, 
que cobrem em certas noites minha aldeia…

 Quer na nuança incrível do arrebol 
que, no tingir as flores, incendeia 
de luz as matas, para o rouxinol 
nos dar trinados belos à mão-cheia!

  Nas maravilhas todas do Universo, 
dos astros às pequenas criações, 
nos brinda a Natureza a cada dia…

E assim também na música, ou no verso, 
onde o belo estiver, sem exceções, 
a Harmonia será sua companhia!

Amilton Maciel Monteiro

SINFONIA AO SOL MAIOR

( Eugénio de Sá )

Horrífico, o tartáreo bafo de fornilhos
Que Lúcifer soltou com fúria imensa
E Portugal gemeu ao ver seus filhos
Quais tochas fossem em fornalha intensa

Fogo rolou plos vales e plas vertentes
Incinerando pessoas e haveres
E nas bocas daquelas pobres gentes
Não houve tempo pra quaisquer dizeres
Era a abertura de uma sinfonia;
“Horribilis Tempestas”, sob Sol Maior
Profano Kyrie, sem sintonia

Mefistofélico som, violentador
Pintado de vermelhos de heresia
Em contraponto às preces ao Senhor

Escrito em intenção das vitimas do grande incêndio
ocorrido em Portugal em Junho de 2017.

Amor & Amar

Deitado no final do dia
Dá aquela nostalgia!
Muito tempo se passou
Quanta gente nos ama
Quanta gente nos amou!

Alegria, tristeza, decepções
Tudo vem a seu momento
Ocupando nossos corações
Mas amanhã será diferente.

Gritos, palmas e  emoções
Vem tudo juntinho
Na surpresa que não é  surpresa
Invadindo de multidão!.

Nessa existência
Isso é que importa
Amor & amar…
Não tem remédio nem ciência
Nesse seu aniversário…
Ele é único, só seu …
Onde nós cantamos sempre
Feliz Aniversário
Parabéns para você!

Marcelo de Oliveira Souza,iwa

Se dependesse de min

Se dependesse de mim,
não existiria guerra,
nem maldade,
nem fome…
Se dependesse de mim,
não existiria criança triste,
nem doentes,
nem dor…
Se dependesse de mim,
não existiria a velhice,
a decadência física,
a morte do corpo…
Se dependesse de mim,
tudo seria bondade,
carinho,
felicidade…
Meu Deus!
Será que sou melhor que Tu?

Gislaine Canales

 POR TI, MEU LÁBIO SANGRA

Ary Franco (O Poeta Descalço)

Na incontida volúpia de nossos beijos trocados
Mordeste minha boca com erótica sofreguidão.
No ritmo de teus ais, saciamos desejos alienados.
Sangra-me o lábio, pulsa-me mais forte o coração

“Besame mucho” ao fundo, mais nos estimulava.
No ardor de nosso sexo selvagem, eu te sufocava.
Cingida em meus braços, arfavas assaz satisfeita,
Cúmplice de nossa mútua entrega total e perfeita.

Enfim, abres os olhos e sorris dengosa para mim.
Tanto queria eu que esta noite jamais tivesse fim,
Mas o inclemente sol já se faz imiscuir no horizonte
E arrefece nossa doce loucura agora agonizante.

Preocupada e carinhosa, acaricias-me a boca ferida.
E, sob o lençol que agora nos cobre, pedes-me perdão.
Desejo que o faças muitas vezes mais, minha querida.
Mostras a quanto vai o gozo manifesto de tua paixão!

Paz

Carolina Ramos

Eu quero a Paz de amar a toda a gente,
de ter amigos leais e, simplesmente,
poder cantar e não sentir vergonha
por ver ao meu redor o amargo tédio,
os sonhos que agonizam, sem remédio,
e o pranto que é escondido numa fronha!

Não quero a Paz do ilhado que, em si mesmo,
enterra o espinho recolhido a esmo…
nem quero a Paz das dúvidas caladas!
Desdenho a Paz cruel feita de medos,
que amarra pulsos… tranca em vis segredos
os anseios das almas conformadas!

Quero a Paz conquistada a cada instante!
A Paz estímulo que diz: – Avante!
Não, a Paz das renúncias doloridas…
Paz da omissão covarde que se oculta
no ricto de um sorriso, Paz que insulta
os passos sem porquês de tantas vidas!
Não quero a Paz tristonha e silenciosa
da derradeira pétala da rosa,
que entregue à brisa, sem destino, seca.
Eu quero a verde Paz das verdes folhas,
que sombra distribuem sem escolhas,
ao pobre, ao rico, ao justo… e  ao que mais peca!

Desejo a Paz do mar que beija a areia…
A Paz de crer que a vida não é feia!…
A doce Paz com gosto de esperanças,
que se partilha e jovialmente rola
de mão em mão – qual colorida bola
de um inocente jogo de crianças!

Anseio a Paz serena do Poeta!
Utópica e total! A Paz completa
que vai além da vida… sem ser morte!
A Paz que desconhece  os desenganos,
que valoriza os méritos humanos
e ao trabalho enobrece e dá suporte!

Paz de crer que o Amanhã, sonhado, existe!
E que o mundo é feliz… e não mais triste
o irmão abraça o irmão, fraternalmente!
Eu quero a Paz do ideal, o mais sagrado,
que é ver o mundo inteiro congraçado
na  PAZ feita de AMOR… de AMOR, somente!…
              
Medaglia di Mérito Internazionale,

Nocera Superiore, Salerno, Itália/2010.

 

CARÍCIAS INFANTIS
Alba Helena Corréa
(Brasil)

Revivo a sensação das infantis carícias.
O tempo, bem veloz, levou-me a juventude,
porém não esfriou as tépidas blandícias
de afagos maternais repletos de quietude.

Que bela a educação com base nas primícias
do amor familiar, da fé e da virtude,
quando o respeito aos pais e a infância sem malícias
faziam-nos  viver o lar em plenitude!

Ao dormir e acordar, a bênção se pedia,
“Deus te abençoe” então em meiga voz se ouvia
e após o beija-mão, nós íamos sonhar…

E em cada despertar, cercada de carinho,
a vida era feliz, tinha o calor de um ninho,
aprendemos assim o quanto é bom amar!    

CRIANÇA CHORANDO

Para meu filho Anderson
Teu pranto abala as raízes da noite.
Tuas lágrimas reanimam a velha metáfora
e molham consteladamente o lençol.
Da obscuridade da tua fome
e do teu desamparo
clamas pelo dia, o teu dia,
quando fraldas e cueiros serão retratos esquecidos no álbum
e mamadeiras e chupetas te farão sorrir sobre outros berços.
Da noite do ventre materno saíste para a penumbra
e choras.
Tão pequeno e já franzes a testa.
Porventura sabes quanto pranto é preciso para fazer-se um homem
e te constróis impacientemente.

Anderson Braga Horta

2 comentarios en “POEMAS EM PORTUGUÉS

  1. Obrigada pela publicação de meu poema.
    Parabéns a todos os poetas por seus maravilhosos poemas!
    A Revista Lunasol está cada dia mais linda!
    Besos Gis

  2. Mais uma espectacular edição em quie tenho o prazer e a honra de participar.
    Méritos a Eunate Goikoetxea, cujo trabalho vai, aos poucos, consituindo um assinalável marco na cultura das linguas lusa e hispânica.

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